Ao som de violinos

on quinta-feira, 27 de agosto de 2009

(Antes de começar o post a sério, deixem-me dizer que isto aqui é uma invasão descarada da minha parte. Ahahahaha! Eu sou má, mas fiquem descansados porque sou má por uma boa causa. Vou fazer-me de professora, tentar não rir de mim mesma nem iventar piadinhas por causa de quem já teve a nobre e horrível missão de me ensinar. Eu sou esperta, nada modesta, e a melhor forma de me levar a bem é manusear com cuidado e oferecer algo de valor de quando em quando. Portanto, vou tentar ser uma boa professora. O que nos leva, de novo, ao post.)

Violinos o melhor e o pior de um hobbie ou, se forem como eu, de um sonho de vida

Acredito que já viram algum uma vez na vida. E que o ouviram. Aqui a dona Bee também toca, assim como eu, e tenho a certeza que muitas pessoas mais no mundo. Violino é um dos instrumentos mais melódicos que existe, agudo e extremamente pessoal. Digam o que disserem, a técnica de cada um varia, e é muito mais do que passar o arco e criar notas com os dedos. Assim como um pianista ficaria chocado se lhe dissessem que ele só se limita a carregar em teclas, também eu fico indignada quando desconsideram este instrumento.

De estética, um violino (e, com ele, a rabeca, a viola de arco ou violeta, o violoncelo e o contrabaixo, já que, tirando o tamanho e alguns pormenores, são da mesma família e seguem mais ou menos a mesma forma), é dos instrumentos mais visualmente bonito. De som, também é bonito, variando de Lacrimosa a Allegro, entre Vibratos, Pizzicato, Col Legno e outros tantos. Eu sei, acabei por aplicar demasiados termos caros que a maioria vai andar à procura no Google. Não vos censuro, eu sou mesmo assim.

Então, vamos à estructura de um violino. Quantos aqui sabem em quantas partes se divide um violino? Eu quero ver mãos no ar. Muito bem, como eu sou uma professora prevenida (e fajuta) fui buscar uma imagem ilustrada e completíssima a um site da internet:



Um facto: o violino tem uma alma. Sim. Tem os característicos efes, ou buracos de F, ou ouvidos. Tem a curva de lado, que é um C. Aquela imagem ali de cima peca porque não tem a queixeira, mas, como já sabemos, os antigos Stradivarius e Guarneri também não tinham, por isso é bem opcional. Também não tem ali o arco, mas posso desde já dizer que o pêlo é de nylon, e antes era em crina de cavalo, e tem um parafuso para apertar e desapertar.

Agora que já o conhecemos de vista, vamos ao "tocar" propriamente dito. É péssimo tentar ensinar por internet, mas vamos lá: pose direita, descontraída. Violino na mão esquerda, arco na mão direita (lamento imenso a quem é canhoto, mas é mesmo assim). Encostar o botão ao pescoço, apoiar o instrumento de leve no ombro esquerdo, a queixeira debaixo do lado esquerdo do vosso queixo (óbvio), e o nariz alinhado com o braço. A mão que segura o arco é ainda mais difícil de explicar, mas vou tentar. O dedo mindinho em cima do arco, assim como o indicador, que está esticado e assente no arco com a falange do meio. Os outros dois dedos do meio vão mais abaixo, na parte preta, e o polegar segura abaixo do indicador, numa espécie de intervalo que se nota bem na estructura do arco.

(Neste momento, acho que se entrar aqui algum professor, ou profissional, qualquer um que seja mais entendido no assunto, vai achar isso uma salada errada. Desculpem, eu tentei explicar e não é fácil, além de recordar o que me dizem "A Stradi pode ser um bom génio, e pensar bem, mas é uma péssima professora." apesar de todos os meus esforços para tentar explicar o meu intrigante raciocínio. Por isso, para melhores explicações, aconselho que vão à boa da Wikipedia ou ao bom do Google.)

E agora, tocai. Isto é, quem já teve alguma aula, porque infelizmente só saber a pose e a com quantos paus se faz o bendito não faz milagres. Ora, para quem sabe, e quem não sabe também, há algumas técnicas distintas para tocar. Vamos chamar-lhes "técnicas para efeitos especiais":

- Pizzicato: o beliscão na corda. Basicamente, é um puxão nas cordas com os dedos.

- Col Legno: literalmente, com a madeira. Consiste em fazer com que a madeira do arco toque nas cordas, para um efeito rangente.

- Vibrato: existem três, o de dedo, o de punho e o de braço. É geralmente usado em notas longas, e trata-se de fazer um som vibrar.

- Corda dupla: tocar em mais do que uma corda.

- Harmónicos: tocar apenas com a ponta dos dedos e sem fazer força nenhuma. É semelhante às notas de uma flauta.

- Glissandi: deslizar o dedo pela corda, incluindo assim todas as notas do intervalo que se pretende tocar.

- Sul ponticello e Sul tasto: consiste em aproximar o arco próximo ao cavalete e próximo ao espelho, respectivamente, gerando tons de timbres diferentes.

São, portanto, algumas técnicas para dar um outro colorido ao que se está a tocar. Tornam uma execução bem mais interessante e, até, mais apaixonante. Mas, admito que é melhor começar por saber tocar bem as coisas mais simples, e passar aos detalhes interessantes depois de se dominar alguma técnica.

Por fim, apresento-vos os cuidados a terem com o vosso violino (e com vocês mesmos). São algumas coisa básicas, e outras nem tão básicas assim (e, como bonús, vão ter comentários meus entre parênteses, que são coisas que ninguém deve fazer. A sério. Só lá estão para ver o cúmulo de mim, especialmente com os sonhos todos com que ando.)

- Praticar com frequência. Não é com ele guardado nalgum canto escuro que vão ter uma boa relação. (Ou, se forem como eu, não importa o que façam, vão adorá-lo sempre.)

- Manter o instrumento protegido do sol, e do calor. (Protegê-lo do sol é fácil, mas do calor, para quem vive num quarto que é um forno...)

- Limpá-lo regularmente do póe da resina, porque desgasta a madeira e as cordas. (Tenho um paninho, mas só limpo lá de quando em quando, quando me lembro.)

- Tocar com as mãos limpas. (Eu raramente faço isso. Só quando tenho as mãos demasiado escorregadias.)

- Sempre que possível, passar resina no arco. (Coisa que, ultimamente, não tenho andado a fazer, porque a preguiça impera.)

- Desapertar o parafuso sempre que não se estiver a usar o arco e que o for guardar, por causa da curvatura necessária para tocar, que se perde com ele demasiado tempo esticado. (Foi a primeira coisa que me ensinaram, porque eu devia estar mesmo com a cara de "nunca desapertar o parafuso". Mas eu tenho sido uma boa alma, que segue sempre esta regra. Sempre.)

- Evitar tocar estando tenso, ou a fazer força. Tocar com calma e descontraído. (Falo por experiência própria. Fica a doer e nem por isso sai lá grande execução.)

- Evitar andar com os dedos feridos. Pode parecer que não, mas afecta a execução. (Eu, por exemplo, sou uma nulidade com facas, e ando com eles constantemente doridos por causa disso.)

E termina aqui a nossa pequena aula. O interessante é que este post já vai enorme e não falei dos pobres dos Stradivarius encafuados em museus que até dá pena nunca tocarem, já que essa é a função deles, nenhum violinista conhecido, nem composições, nem das cordas ou das posições de dedos. Acho que deixo isso para os vossos professores, ou futuros professores.

E, lembrem-se, um violino usado é um violino feliz!

3 comentários:

Débora Mayworm/Bee disse...

Adorei a primeira invasão nesse blog.
Hihi.. percebi que comento alguns pecadinhos ^^"
Mas sempre passo resina no arco xD
Huhuh, vá preparando o texto para a proxima invasão, será a qualqher momento HOHOHO

Colega da Bee disse...

como assim invasao? por acaso essa pessoa que postou entrou no blog por meio de Hack?
não to EsTENDENDO

Anônimo disse...

só uma observaçao ao post. os stradivarius que estao em museus, sao frequentemente tocados, cada museu que tem um intrumento destes, tem musicos contratados para tocarem diariamente os intrumentos, para que nao percam a qualidade sonora entre outra caracteristicas.

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